Ontem
celebramos nas principais praças do Brasil a festa
de um marco
histórico em nosso país. Sejamos nós
mais dados a esperanças ou muito
cépticos, sejamos mais sonhadores ou pés-no-chão
- o fato é que a nação
brasileira assumiu uma posição inédita
para seus últimos séculos integrados
ao Ocidente e, como é raro e difícil principalmente
em nossa tão conturbada
América Latina, pela via pacífica e institucional
do voto.
O
nosso presidente eleito, desde já, é o símbolo
efetivo de que a cidadania
não deve ser o privilégio de alguns. Ontem,
novamente ouvimos o seu
discurso, não mais uma promessa de transformações,
mas já a primeira
transformação efetuada: já não
nos cabe esperar o que os mandarins farão de
bom ou ruim por nós, desde agora estamos comprometidos
com nosso futuro e
por ele respondemos: agora somos maiores, somos adultos,
nós: cada indivíduo
da Sociedade. Não é fácil assumir a
maioridade, não é fácil ter de responder
por cada ação. Não é fácil
agir como um homem livre. Não é fácil
manter-se
assim nesse inexorável agora.
Mas
nada menos que isso pode receber o nome de dignidade.
Hoje,
tenho o direito de ser um simples cidadão de uma
jovem república da
América do Sul, e quero compartir com os amigos do
mundo inteiro, como na explosão do gol decisivo de
uma grande final, a alegria de estar sendo brasileiro.
Saudações!
(Fernando Santoro, professor de filosofia da UFRJ)